A rotina de um escritório costuma ser associada a reuniões, prazos e metas. No entanto, existe um fator silencioso que pode comprometer todos esses resultados: a higiene inadequada dos ambientes de trabalho
Superfícies compartilhadas, ventilação insuficiente, banheiros mal higienizados e o descarte incorreto de resíduos podem favorecer a circulação de vírus e outros microrganismos. Quando isso acontece, o impacto vai além do desconforto: aumentam os afastamentos, a concentração dos profissionais pode ser reduzida e o desempenho das equipes tende a ser prejudicado.
Em escritórios, muitas pessoas utilizam os mesmos espaços e objetos ao longo do dia. Telefones, teclados, mouses e impressoras são tocados por dezenas de funcionários e, por isso, merecem atenção especial durante a rotina de limpeza.
“Um dos principais cuidados para manter um escritório saudável está na atenção aos locais que tocamos e utilizamos várias vezes ao longo do dia. Maçanetas, puxadores, mesas, braços e superfícies das cadeiras, interruptores e bebedouros são alguns exemplos de pontos que merecem atenção por serem utilizados por muitas pessoas”, afirma Filipe Coelho, Coordenador Operacional do Grupo Prática, empresa de terceirização de serviços e limpeza especializada.
Entre os vírus que podem circular nesses ambientes estão os causadores de:
- Gripe e outras infecções respiratórias: Transmitidas principalmente por gotículas liberadas ao falar, tossir ou espirrar;
- Resfriados: Que também podem se espalhar pelo contato próximo e por superfícies contaminadas;
- Covid-19: Cuja transmissão ocorre predominantemente pelo ar, especialmente em locais fechados, cheios e com pouca ventilação;
- Gastroenterites virais: Como as provocadas por norovírus, que podem ser transmitidas por mãos, alimentos, água ou superfícies contaminadas;
- Conjuntivites virais: Que podem se espalhar pelo contato com secreções e objetos compartilhados.
Embora a limpeza de superfícies não elimine todos os riscos, principalmente no caso de doenças transmitidas pelo ar, ela é uma das medidas que contribuem para reduzir a disseminação de agentes infecciosos. A ventilação adequada, a higiene das mãos e a permanência em casa quando há sintomas também são fundamentais.
Desinfecção deve fazer parte do planejamento
Além da limpeza cotidiana, a desinfecção é uma etapa importante para reduzir a presença de microrganismos em superfícies de uso frequente. Para isso, é necessário estabelecer uma rotina compatível com o fluxo de pessoas e com o nível de utilização de cada ambiente.
“Para garantir que o ambiente esteja livre de vírus e microrganismos, é fundamental estabelecer uma rotina de desinfecção. Ao utilizar desinfetantes apropriados, é possível eliminar grande parte dos vírus e microrganismos que podem causar doenças”, explica Marcelo Ghilard, Técnico Químico da Top Gestão, empresa especializada na prestação de serviços de limpeza.
A escolha dos produtos e dos procedimentos deve considerar o tipo de superfície e as orientações de segurança. Também é importante respeitar as instruções de uso, o tempo de contato indicado pelo fabricante e evitar misturas entre produtos químicos.
Doença de um funcionário pode afetar toda a equipe
Quando uma pessoa contaminada comparece ao trabalho, o vírus pode alcançar colegas em diferentes áreas da empresa. Essa prática pode parecer uma forma de manter a produtividade, mas produz o efeito contrário. A pessoa pode apresentar cansaço, dor de cabeça, febre, tosse ou dificuldade de concentração, além de aumentar a possibilidade de transmissão para outros colaboradores.
Para Marcos Antonio Cyrillo, Médico Infectologista e Diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a prevenção precisa estar integrada à gestão da saúde ocupacional. “Para reduzir a transmissão de doenças infecciosas no ambiente de trabalho, a empresa precisa ter um bom programa de saúde dos trabalhadores, o PCMSO, muito bem elaborado por um médico do trabalho”, orienta.
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional deve prever o acompanhamento adequado dos trabalhadores e a realização dos exames ocupacionais previstos, como os admissionais, periódicos, de mudança de função e de retorno ao trabalho, conforme as normas aplicáveis.
Cyrillo também destaca a importância de oferecer suporte aos funcionários que apresentem sintomas. “Se eles tiverem doenças de transmissão respiratória, por exemplo, têm que procurar esse serviço e não ir trabalhar”, afirma.
Limpeza precisa ser planejada
Uma sala com poucas pessoas e circulação limitada apresenta necessidades diferentes de uma recepção, uma central de atendimento ou um espaço de trabalho compartilhado. Por isso, a frequência da limpeza deve ser definida de acordo com o uso de cada área.
“Normalmente, iniciamos o dia com uma limpeza criteriosa dos ambientes e, ao longo do expediente, realizamos revisões nos pontos de contato frequente, especialmente no início da tarde e ao final do dia”, explica Filipe Coelho.
Entre as medidas importantes estão:
- Higienizar com maior frequência superfícies tocadas por várias pessoas;
- Manter banheiros abastecidos com sabonete, papel para secar as mãos e álcool em gel;
- Retirar o lixo antes que atinja sua capacidade máxima, preferencialmente quando estiver cerca de 2/3 (dois terços) cheio;
- Reforçar a limpeza de copas, cozinhas e locais de alimentação;
- Garantir a ventilação dos ambientes;
- Recomendar que pessoas com sintomas infecciosos evitem o trabalho presencial, de acordo com as orientações médicas;
- Utilizar produtos e procedimentos adequados para cada tipo de superfície;
- Verificar regularmente a qualidade da água e as condições dos bebedouros.
A rotina também precisa levar em conta o fluxo de pessoas. “Essa frequência pode variar de acordo com o fluxo de pessoas e a utilização de cada espaço. Um escritório com grande circulação, por exemplo, exige uma atenção proporcional à sua rotina”, afirma Filipe.
Prevenção é uma responsabilidade coletiva
A manutenção de um ambiente saudável depende tanto da empresa quanto dos funcionários. A organização deve oferecer condições adequadas de limpeza, enquanto os trabalhadores precisam adotar atitudes preventivas no dia a dia.
“No fim, o cuidado está nos detalhes. Uma maçaneta limpa, um bebedouro higienizado ou uma cadeira devidamente cuidada podem parecer pequenas ações, mas fazem parte de um ambiente adequado para as pessoas que trabalham e convivem ali todos os dias”, encerra Filipe.
A higiene não deve ser vista apenas como uma questão estética. Em escritórios, ela faz parte da estratégia de saúde ocupacional e pode contribuir diretamente para a continuidade das operações, a redução de afastamentos e a preservação da produtividade das equipes.
Fonte: Revista HigiPLUS
Foto: Ilustração gerada por Inteligência Artificial