Assumir o comando da Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços (Febrac) representa, antes de tudo, um compromisso coletivo. Nossa missão é dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela entidade ao longo dos últimos anos, fortalecendo a representatividade do setor e ampliando o diálogo com todos aqueles que participam da construção de um ambiente de negócios mais justo e sustentável.
O setor de limpeza, conservação e facilities desempenha um papel estratégico para a economia brasileira. São milhões de trabalhadores que garantem o funcionamento diário de hospitais, escolas, aeroportos, indústrias, condomínios, órgãos públicos e empresas dos mais diversos segmentos. Apesar dessa relevância, ainda convivemos com desafios históricos que exigem atuação institucional permanente.
A nova gestão da Febrac inicia suas atividades com um objetivo muito claro: unir o setor. Queremos fortalecer ainda mais a integração entre os sindicatos filiados, aproximar a Federação das entidades coirmãs e ampliar nossa presença nos estados brasileiros. Uma entidade nacional só cumpre plenamente sua missão quando representa, de forma efetiva, a realidade de todas as regiões do país.
Também pretendemos ampliar o protagonismo da Febrac junto aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Nossa atuação será pautada pelo diálogo permanente, pela construção de consensos e pela defesa técnica das pautas que impactam diretamente as empresas e os trabalhadores representados pela Federação.
Um dos temas que hoje mobiliza o setor é a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A Febrac reconhece que o debate sobre qualidade de vida e condições de trabalho é legítimo e necessário. No entanto, entendemos que mudanças dessa magnitude precisam respeitar as características de cada atividade econômica e ser construídas por meio da negociação coletiva.
As convenções coletivas de trabalho são o ambiente adequado para discutir jornadas, escalas e condições de trabalho de cada segmento. Uma solução uniforme para realidades tão distintas pode gerar impactos significativos sobre empresas, trabalhadores e, consequentemente, sobre toda a sociedade.
No caso do setor de facilities, uma alteração abrupta nas jornadas representaria um enorme desafio operacional e financeiro. A necessidade de reorganizar escalas, ampliar equipes e absorver novos custos teria reflexos diretos na prestação de serviços essenciais e na competitividade das empresas. Por isso, defendemos que qualquer mudança seja precedida de amplo diálogo, estudos técnicos e segurança jurídica.
Outro tema prioritário é a modernização da legislação da aprendizagem profissional. A Febrac é favorável à ampliação das oportunidades para adolescentes e jovens ingressarem no mercado de trabalho. Entretanto, é preciso reconhecer as particularidades de cada setor econômico.
Hoje convivemos com uma situação contraditória. A legislação determina o cumprimento de cotas de aprendizes, mas, ao mesmo tempo, impede que menores de idade exerçam atividades em ambientes insalubres, perigosos ou prejudiciais à saúde, realidade presente em grande parte das atividades de limpeza e conservação. Como cumprir uma obrigação quando outra norma impede sua execução?
Por isso, defendemos a aprovação da Emenda nº 3, apresentada pelo senador Laércio Oliveira ao Projeto de Lei nº 6.461/2019, que propõe excluir da base de cálculo das cotas os trabalhadores que exercem atividades vedadas a menores de 18 anos. Trata-se de uma medida que confere maior segurança jurídica às empresas, sem reduzir o compromisso com a aprendizagem profissional.
Nossa defesa é simples: queremos uma legislação que possa ser cumprida. O diálogo é o melhor caminho para construir soluções equilibradas que preservem oportunidades para os jovens, respeitem as restrições legais existentes e garantam condições reais para que as empresas atendam às exigências da lei.
Ao mesmo tempo, precisamos olhar para o futuro do setor. A prestação de serviços passa por uma transformação impulsionada pela inovação e pela tecnologia. O Brasil ainda depende de modelos altamente intensivos em mão de obra, enquanto o mercado global avança na digitalização, automação e utilização de soluções inteligentes.
A Febrac pretende liderar essa transformação. Queremos estimular parcerias com empresas de tecnologia, promover a qualificação dos empresários e gestores e incentivar a adoção de ferramentas que aumentem a produtividade, a eficiência e a competitividade das empresas brasileiras. O futuro do setor passa pela combinação entre pessoas qualificadas, inovação e gestão moderna.
Nos próximos anos, nossa atuação estará voltada para melhorar o ambiente de negócios, aperfeiçoar legislações que impactam o setor, ampliar o reconhecimento institucional da atividade e fortalecer o relacionamento com os poderes constituídos e com as entidades parceiras.
Temos plena convicção de que esse trabalho será construído de forma coletiva. A expectativa é grande, mas maior ainda é a disposição para trabalhar diariamente em defesa das empresas, dos trabalhadores e do desenvolvimento do setor de limpeza, conservação e facilities.
O Brasil precisa de um ambiente regulatório mais moderno, previsível e equilibrado. É com diálogo, responsabilidade e representatividade que a Febrac seguirá contribuindo para essa construção.
Fonte: Febrac