Sondagem realizada pelo SEAC-MS indica que desafios do transporte coletivo vão além da frota disponível e afetam diretamente trabalhadores e empresas
O Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação de Mato Grosso do Sul (SEAC-MS) acompanha com atenção o processo de avaliação do transporte coletivo de Campo Grande e seus possíveis desdobramentos. O tema tem impacto direto sobre a prestação de serviços essenciais e a rotina de aproximadamente 12 mil trabalhadores do setor de asseio, conservação e facilities na Capital.
A preocupação ocorre em meio às discussões sobre o futuro do sistema, que atualmente opera com idade média de frota de 9,6 anos, acima dos cinco anos previstos em contrato. Dados apresentados durante as análises conduzidas pelo município apontam ainda a existência de 197 veículos com vida útil vencida, 13 ônibus articulados operando além do prazo previsto e outros 15 veículos interditados.
Para o presidente do SEAC-MS, Daniel Amado Felicio, a qualidade do transporte coletivo possui reflexos diretos sobre a atividade econômica e a prestação de serviços essenciais.
“Milhares de trabalhadores do nosso setor dependem diariamente do transporte coletivo para chegar aos seus postos de trabalho. Quando o sistema apresenta dificuldades, os impactos são sentidos por empresas, trabalhadores e pelos locais atendidos, como hospitais, escolas, condomínios, órgãos públicos e estabelecimentos comerciais”, afirma.
Segundo ele, a discussão em curso ultrapassa o debate sobre renovação da frota e envolve aspectos relacionados à eficiência operacional, à confiabilidade do sistema e à qualidade do serviço oferecido à população.
Com o objetivo de compreender como essas questões afetam a rotina das empresas representadas pela entidade, o SEAC-MS realizou uma sondagem junto à sua base sindical, reunindo percepções de empregadores sobre os principais desafios enfrentados em relação ao transporte coletivo na Capital.
Sondagem – Além das reclamações recorrentes dos usuários sobre a superlotação dos ônibus, atrasos frequentes e quantidade insuficiente de veículos em circulação, as empresas também enfrentam diversas dificuldades relacionadas ao sistema de bilhetagem e gestão do transporte coletivo.
Do ponto de vista operacional, o sistema apresenta limitações que impactam diretamente a rotina das empresas. Um dos principais problemas ocorre quando há necessidade de substituir ou renomear um cartão de vale-transporte de um colaborador. Em muitos casos, o sistema bloqueia a operação em razão da vinculação do CPF, impedindo a emissão de um novo cartão para o mesmo funcionário.
Outra dificuldade é a impossibilidade de recuperação de créditos lançados indevidamente ou em valor superior ao necessário. Uma vez efetuada a recarga, não há mecanismo eficiente para estorno ou reaproveitamento desses valores, gerando prejuízos às empresas.
Também houve aumento das dificuldades para monitoramento de possíveis usos indevidos dos cartões. Anteriormente, era disponibilizada uma quantidade mínima de relatórios sem custo para as empresas. Atualmente, a emissão desses relatórios passou a ser tarifada, com custo aproximado de R$ 90 por solicitação, o que dificulta o controle e a fiscalização por parte dos empregadores.
Além disso, há constantes reclamações relacionadas ao sistema de integração tarifária, que frequentemente gera dúvidas e cobranças adicionais aos usuários. Muitos passageiros sequer têm conhecimento de que estão pagando valores superiores aos esperados em determinadas situações de integração.
Do ponto de vista dos trabalhadores, os relatos são recorrentes nas linhas 070 e 076, que atendem regiões como General Osório, Bandeirantes e Aero Rancho. Funcionários de diversas empresas terceirizadas, relatam diariamente problemas como atrasos constantes, veículos superlotados, condições precárias dos ônibus e dificuldades no deslocamento para o trabalho.
As reclamações demonstram que os problemas vão além da quantidade de veículos disponíveis, abrangendo também a qualidade do serviço prestado, a gestão do sistema de transporte e os impactos diretos para trabalhadores e empregadores.